
Uma jovem, a caminho de casa, viu um lobo congelado e, ao lado dele, cachorrinhos tremendo de frio e medo.
A razão lhe dizia para voltar ao carro, mas, em vez disso, a mulher se inclinou para ajudar o animal e, de repente, viu algo que lhe tirou o fôlego.

A jovem dirigia para casa pela rodovia durante uma forte nevasca. A neve batia contra o para-brisa como uma parede sólida, e a estrada mal era visível. Ela conhecia muito bem aquele trecho da rodovia. Foi ali, muitos anos atrás, que seu marido e filho morreram em um trágico acidente.
Ao se aproximar do local do acidente, onde agora se erguia uma cruz em memória de seus entes queridos, a mulher diminuiu a velocidade e encostou no acostamento perigoso. Ela sempre parava ali, apenas para se certificar de que tudo perto da cruz estava em ordem.
Quando os faróis perfuraram a neve rodopiante, iluminaram algo perturbador. Não era a cruz. No monte branco como a neve, uma mancha vermelha brilhante e chamativa era visível, a poucos metros de onde a ambulância havia parado para atender seu filho.
A mulher parou o carro e saiu. Ao se aproximar, percebeu com horror que uma loba estava deitada ali. O animal estava paralisado, exausto, e aconchegados contra ela estavam dois filhotes. Os filhotes choramingavam, tremendo de frio e medo, como se implorassem para que a mãe se levantasse.

A loba jazia imóvel, apenas seu lado tremia com leves espasmos esporádicos. O bom senso lhe dizia para voltar para o carro. Era a natureza selvagem, e ela sabia que um lobo é perigoso mesmo ferido.
Mas a compaixão a dominou, e a mulher ainda se abaixou para examinar o animal, e naquele momento viu algo que lhe tirou o fôlego.
Pegadas se estendiam pela neve. Longas e fragmentadas, jaziam ao longo da estrada. Era evidente que a loba não havia caminhado, mas rastejado. Ela percorrera quilômetros e quilômetros e parara ali mesmo, no local exato onde seu filhote morrera.
Ao perceber isso, a mulher não suportou e perdeu a consciência ali mesmo na neve. Parecia que alguém a havia guiado até o local onde ela receberia ajuda.

E a própria mulher não havia parado ali por acaso, apenas para se certificar de que tudo perto da cruz de seu filho estivesse em ordem.
Como se Deus a tivesse enviado naquela noite para salvar o animal.
Ao recuperar a consciência, a mulher cuidadosamente enrolou a loba e os filhotes em cobertores, colocou-os no carro e dirigiu até a clínica veterinária mais próxima.
Pela primeira vez em muito tempo, ela sentiu que podia salvar uma vida, mesmo que antes não tivesse conseguido salvar as vidas daqueles que lhe eram mais próximos.
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