
Lembro-me muito bem daquele dia, um dia ensolarado em que pensei ter tudo sob controle. Minha filha, alegre e despreocupada, brincava perto de casa, sob o olhar atento do nosso cachorro.
Este cão, um animal aparentemente calmo e gentil, estava sempre lá, um protetor silencioso, pronto para reagir ao menor sinal de perigo. Eu ainda não sabia o quão impactante este dia seria, nem o quão profundamente este instinto animal me tocaria.
Um grito perfurou o ar. Corri para fora, com o coração batendo forte, cada segundo parecendo se estender indefinidamente.
Ao atravessar a porta, não pude acreditar no que vi. Minha filha, tão inocente e despreocupada, tinha encontrado um jeito de subir a pequena escada que levava ao nosso telhado.
Lá estava ela, empoleirada na encosta, com as pernas penduradas e um sorriso alegre iluminando seu rosto. Parecia alheia ao perigo iminente. Riu, imperturbável, absorta na excitação de sua exploração.
Eu queria gritar, correr até ela, mas minhas pernas pareciam congeladas.
Naquele momento, um milagre aconteceu. Eu não conseguia imaginar o que estava prestes a acontecer, nem conseguia entender como aquilo poderia ter acontecido.
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O cão, calmo até aquele momento, de repente começou a se mover com a velocidade de um raio, suas patas batendo no chão com uma força incrível.
Com um salto, ele se elevou no ar, com os músculos tensos como uma mola prestes a explodir. Não era mais apenas um animal; era um protetor. Um instinto profundo o havia dominado.
Com uma agilidade impressionante, ele se posicionou sob o telhado, logo abaixo da minha filha. Eu nem tinha percebido seu movimento, mas ele antecipou cada segundo. O sorriso da minha filha congelou ao ver o animal, alheia ao perigo da situação.
Fiquei paralisado, observando, com o coração batendo forte.
Em um último esforço, o cachorro pulou, como se quisesse pegar o ar ao redor da criança, pronto para apoiá-la caso ela caísse.
Ela escorregou um pouco, mas algo a segurou pouco antes do inimaginável acontecer. O cachorro, num gesto milagroso, a segurou no ar.
Segura em seus braços poderosos, minha filha finalmente entendeu que havia escapado do perigo. O cachorro olhou para ela e depois se virou para mim, com um olhar sereno, como se dissesse: “Está tudo bem agora”.
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